Cidade Grande
Nesse último mês estou me tornando uma pessoa muito viajada. Fui pra Passo Fundo, São José - SC e Porto Alegre. Confesso que não gosto do tumulto das cidades grandes e adoro minha Guaporé, a calmaria da cidade, as pessoas que te cumprimentam na rua, as fofocas, a falta do que fazer e tudo mais.
Confesso que não gosto das cidades grandes por não conhecer ninguém, pela antipatia das pessoas, pelo tumulto do transito, pelos alagamentos, enchentes, correria e tudo mais.
Passo Fundo eu consigo engolir, acho a cidade cinza e curto o centro da cidade visto a noite, achei bem massa mesmo passando corrido. O trânsito é como Guaporé, as pessoas não param na faixa de pedestres, posso afirmar porque quase fui atropelada. Fui pra um festival indoor que foi muito afudê e a companhia das gurias é inigualável!
São José é grande, mas na minha opinião parada demais. Fui pra lá com a galera da academia de Jiu- Jitsu. Fui pra ajudar nas despesas e acabei ajudando a galera mais do que eu pensei. Tudo é muito estranho naquela cidade, o trânsito é estranho, as pessoas são estranhas, as festas vistas do lado de fora são estranhas, as garças são estranhas e o centro da cidade é estranho. Encontramos um nóia na rua que pediu um minuto da nossa atenção pra mostrar o trabalho dele que foi de tirar o chapéu! Em menos de 5 minutos, o cara pintou um pôr-do-sol em um pedaço de madeira, com as próprias mãos e um pouco de tinta óleo. Ele queria grana pra tomar banho mas todos sabemos o real destino do dinheiro que demos a ele. O cara tinha uma humildade sem tamanho, simpatia e coração nobre. Nos agradeceu até cansar e sumiu das nossas vistas em questão de segundos. Foi um final de semana divertido mesmo com as quase 20 horas dentro de uma van e um motorista muito doidão.
Já em Porto Alegre... Eu, Danusa e Dani, nos bandiamos até lá pra irmos ver o treino do Tricolor. Chuva, frio, pouca roupa, uns cartazes, um guarda-chuva comprado de última hora e disposição pra comer pra passar tempo. Saímos daqui as 7:00, chegamos em POA as 10:30 e pegamos um táxi pra ir até o Olímpico. O taxista nos cumprimentou, mas sem muito papo durante a corrida. Chegamos, entramos no estádio mais amado do sul do país que vai virar pó e eu vou ter orgulho de dizer que vi meu time jogar naquele estádio quando mostrar as fotografias pros meus netos. Almoçamos, fomos na loja, fomos pra cá, pra lá, vimos o treino debaixo de chuva, gritei pro André Lima e pro Marcelo Moreno só pra ganhar um aceninho pra ter valido a viajem. Na volta pra rodoviária, pegamos outro táxi como de praxe. Esse segundo taxista na minha opinião foi um grosso, mal falou com a gente, mas nos olhou na cara e tocou direto pra rodoviária.
Por ser de Guaporé, uma cidade onde todo mundo conhece todo mundo, eu me sinto mal entrando num táxi onde o cara nem te cumprimenta direito. Sempre que pego um táxi em aqui, vou batendo papo com o motorista até chegar no destino, o que faz o tempo passar mais rápido e voltar a fazer corrida com o cara.
Em Passo Fundo também foi assim quando eu e as gurias pegamos o táxi. O último taxista foi o mais divertido, ria com os nossos comentários sobre a noite e conversava com a gente.
Nos anos de 2010 e 2011 eu fui diversas vezes pra Muçum e Encantado, cidades vizinhas que todos ouviram falar e já passaram por lá!
Duas cidades que não tem absolutamente nada pra fazer, aonde ir...
Em Muçum só tem uma boate, uma praça meia boa e a cidade é estranha também. Tem rua que começa aqui e termina logo ali. Uma cidade que praticamente parou no tempo, sem grandes construções ou planos pra crescer mais.
Encantado é a terra natal do meu pai e passei parte da minha infância indo visitar os parentes por aquelas bandas. Tenho amigos lá e acho uma cidade peculiar,em quesito arquitetura, lazer e população.
Depois da meia-noite não se vê mais ninguém pela rua e a única boate que ouvi falar foi o Lost e que todos dizem ser legal.
Sou do interior, sou colona sim senhor e não sei bem se pretendo sair daqui, ao menos por enquanto não.
Sinto uma alegria imensa quando volto pra casa dessas viagens longas e cansativas. Tenho um quase orgasmo quando avisto o trevo de Dois Lajeados ou o trevo de Serafina Correa.
Sou simpática e comunicativa demais pra engolir essas cidades sem ao menos um pouco de água. Adoro viagens, adoro as experiências que vem junto delas, o cansaço e as histórias pra contar. Mas não moro em uma cidade dessas nem que me paguem!
Curto minha Guaporé demais!
Não pelo simples fato de ter nascido e crescido aqui, mas por ter todos que gosto aqui do meu lado, ter aonde ir no final de semana pra tomar cerveja com a galera, poder voltar a pé e sozinha pra casa sem o medo de ser esquartejada ou até mesmo assaltada pelo fato de usar um tênis ou um relógio bacana.
Não gosto das cidades grandes, gosto do ócio guaporense, do povo mesquinha e mente fechada daqui.
Não presto pra morar em cidade grande porque não tenho noção de tempo, espaço, lugar e nem senso de direção.
Sou desastrada demais pra isso!
Guaporenses, não reclamem da falta do que fazer no final de semana. Temos o Trip nas Quintas e Sextas, o 15zão, o Texas, a Absolut, o bocho, o primeirão, o Bom Jesus, a Saúde, a IMVIS nossa de toda semana, podemos ir na U.T.I comprar nossa bebidinha, a Sola pra nos deixar ir ao banheiro de madrugada, o pastel salvação em frente ao Texas naquele barzinho... Opção não falta e disposição pra galera se divertir também não. Então parem de reclamar de Guaporé! Tem cidades muito piores e vocês nem se dão conta disso.
Bahh, curti esse post, eu pensava o mesmo de passo fundo logo que vim morar aqui porque também não tenho noção de espaço e direção, mas depois de um tempo tu percebe que a cidade não é tão grande assim, que as pessoas se conhecem pq todo dia tu vai ver as mesmas e passar pelos mesmos lugares, e simpatia se conquista e é conquistada por quem merecer, o resto é resto. (:
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